Depois de defender o discurso sobre a necessidade de desarmar os palanques eleitorais, o governador Paulo Câmara (PSB) se manteve, nesta sexta-feira (11), longe do front e do embate direto com o presidente Jair Bolsonaro (PSB). Ao ser indagado se já tinha recebido resposta da audiência que solicitou ao novo chefe do executivo, ele disse que não, porém minimizou a falta de um gesto político do adversário, justificando entender as dificuldades do início de um governo e o estado de saúde do presidente, que vai retirar a bolsa de colostomia no dia 28 de janeiro.
"Essas coisas não são tão rápidas, até porque não é nada de urgente para se conversar, tem coisas que quero repassar. A gente entende que o mês de janeiro é adequado para analisar as agendas. A gente sabe que o presidente vai se operar. Isso deve estar complicando o agendamento, mas esperamos que, tão passe esse período, ele possa nos chamar para conversar".
O governador afirmou que, caso o presidente confirme a audiência solicitada, ele vai "falar de Pernambuco, do Nordeste e de ]como a gente pode ajudar o Brasil a voltar gerar emprego e renda". O socialista mencionou o assunto após a posse do reitor da UPE.
Segundo informações do Diario do Nordeste, o governador Camilo Santana (PT), por sua vez, elogiou o presidente Bolsonaro pelo apoio que o militar reformado está dando ao Ceará, que enfrenta uma guerra nas ruas contra o crime organizado, com postes de luz sendo destruídos, carros da companhia elétrica queimados, ataques a ônibus, entre outros. Camilo disse que os governos anteriores, inclusive pertencentes ao seu próprio partido, foram omissos na questão da segurança pública.
“Eu não estou criticando o governo atual não. Muito pelo contrário. Governo tem dado todo o apoio. Eu estou criticando todos os governos que passaram, inclusive do meu partido, que foram omissos nesta área da segurança pública”, reclamou o petista.
A declaração dos governadores nordestinos sobre Bolsonaro mostra que os gestores querem evitar, ao máximo, confronto com o presidente, sob o risco de retaliações. Em andamento, para dar uma blindada na região e abrir uma porta de diálogo direta com o novo chefe da Nação, o deputado federal Danilo Cabral (PSB) propôs a criação de uma Frente Parlamentar em Defesa do Nordeste. Ele está recolhendo assinaturas para que a proposta seja criada, com a participação de pelo menos 200 parlamentares, entre deputados e senadores.