Em 9 de agosto, o governo federal começou a pagar o Auxílio Brasil com o reajuste de R$ 200 no piso e acréscimo de 2 milhões de famílias. Entre essas novas beneficiárias, um dado sobressai: 1,1 milhão dessas famílias são formadas por apenas uma pessoa, o que equivale a 54% do total.
Em menos de um ano de programa, o número de famílias com apenas um integrante mais do que dobrou no cadastro do governo, saltando de 2,2 milhões em outubro de 2021 para 4,9 milhões no mês passado. O programa ainda deve incluir mais 804 mil famílias agora em setembro, às vésperas da eleição. As informações de Carlos Madeiro, colunista do UOL.
O percentual das chamadas famílias unipessoais chama atenção porque destoa do dado histórico do programa, que era o mesmo da média de domicílios no país com apenas uma pessoa segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), ou seja, 15%.
Segundo especialistas ouvidos pela coluna, o aumento de famílias unipessoais cadastradas tem a ver com a mudança no desenho do benefício social, que passou a não ter como referência o número de integrantes da família ao instituir um piso que atende a quase todas as composições.
Hoje, uma pessoa que mora sozinha recebe o mesmo valor de uma família com seis pessoas (R$ 600). No Bolsa Família, quanto mais integrantes em uma família, maior era o valor. Essas distorções no critério foram tema de outra coluna em julho.
Além disso, os especialistas afirmam que a nova concepção do programa teve uma visão eleitoral ao buscar beneficiar um número máximo de pessoas adultas, sem dar reajuste às famílias com mais crianças, por exemplo.